A Psicologia Baseada em Evidências (PBE), surgiu como uma forma de tomar decisões e escolha de práticas psicológicas pautadas em evidências científicas de qualidade. Apesar de vários campos da psicologia possuírem uma forte tradição em investigação científica, a área não está imune a práticas pseudocientíficas. A PBE refere-se a utilização consciente, ética e responsável da melhor evidência científica atual na tomada de decisões sobre o cuidado de pacientes individuais. Originando-se da medicina baseada em evidências, essa abordagem foi adaptada para a psicologia e outras disciplinas da saúde, realçando a importância de integrar pesquisa clínica com a atuação prática.

Práticas pseudocientíficas acarretam inúmeros prejuízos em diversas áreas e a psicologia não está imune a estes efeitos. Uma prática pseudocientífica (ou pseudociência) pode ser caracterizada por afirmações, crenças ou práticas apresentadas como científicas, mas que não possuem evidências empíricas para suportá-las. Entre elas estão constelações familiares, terapia de regressão a vidas passadas, programação neurolinguística, terapia de reorientação sexual entre outras. Longe de serem inofensivas, estas práticas produzem inúmeros prejuízos.

Para o cliente/paciente, o prejuízo está relacionado a tratamentos ineficazes que podem atrasar ou impedir a recuperação, e em alguns casos, pode resultar em danos psicológicos. Frequentemente, pseudociências também promovem conceitos e teorias que são incompatíveis com as evidências científicas atuais. Isso pode gerar desinformação e diminuir a confiança na ciência, dificultando a compreensão de questões importantes de saúde e ciência.

O crescimento da popularidade das pseudociências, pode também resultar em desvio de fundos financeiros e atenção de pesquisas científicas legítimas. Além disso, práticas pseudocientíficas podem reforçar estereótipos, preconceitos e superstições, afetando negativamente a discussão sobre questões sociais e de saúde e influenciar indevidamente as políticas públicas. No âmbito educacional, a inclusão de pseudociências em currículos educacionais pode prejudicar a compreensão científica, o discernimento do conhecimento e promover o analfabetismo científico. Também é importante considerar que profissionais que adotam estas práticas, podem enfrentar dilemas éticos, perderem credibilidade profissional e, em alguns casos, estarem sujeitos a enfrentar sanções legais ou profissionais.

A adoção da PBE na atuação do profissional de psicologia promove tratamentos mais eficazes e seguros. Além disso, a PBE promove uma abordagem abrangente e integrada, isso significa que as intervenções são adaptadas às necessidades individuais do paciente, considerando seu contexto socioeconômico, cultural e pessoal. A personalização é fundamental, pois reconhece e valida a complexidade dos desafios de saúde mental enfrentados pelos indivíduos. Desta forma, a adesão a práticas baseadas em evidências, contribuem para elevar o padrão geral de cuidados em saúde mental, promover a conscientização pública sobre as abordagens terapêuticas eficazes, desmistificar as pseudociências e fortalecer a alfabetização científica da população.

Para que isto aconteça é necessário que a formação em psicologia seja pensada considerando uma visão científica sobre saúde mental, responsabilidade ética, considerar a realidade política, econômica, social e cultural, além disso, a formação depende de treinamentos contínuos em métodos baseados em evidências. As demandas e desafios enfrentados por profissionais de psicologia crescem exponencialmente, aumentando a necessidade de atualização, expansão e aplicação da PBE.

Autores:

Anna Carolina Gonçalves Souza

Ivaldo Ferreira de Melo Junior

Categorias: Diversos

1 comentário

HENIO · 17/05/2024 às 16:45

Muito interessante, estou encaminhando esse post para meu professor para debate.
http://www.hfshopexpress.com

Deixe um comentário

Avatar placeholder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *