Nise Magalhães da Silveira nasceu em Maceió, Alagoas, no ano de 1905 foi uma mulher que revolucionou a história da psiquiatria. Nise se formou médica na Faculdade de Medicina da Bahia. Ela, que era a única mulher de sua turma, optou por ser médica psiquiatra, tendo sido, ao longo de sua carreira, muito inspirada pelos trabalhos de Carl Gustav Jung, notório psiquiatra suíço, grande influenciador da Psicanálise, tendo, depois, a alcunha de sua própria perspectiva psicológica: a Psicologia Analítica.

Nise, assim, humanizou o tratamento psiquiátrico, tratando seus pacientes pela arte, à luz da psicologia analítica, com direito a ateliês de pintura e modelagem, ao invés de empregar procedimentos violentos e intrusivos. Foi inclusive motivo de chacota para os demais médicos da época. Nise foi pioneira na terapia ocupacional e na introdução de animais nos cuidados dispensados a seus pacientes. Nise foi pioneira em usar da arte, do carinho, do amor, dos bichos enquanto método no hospital em que trabalhava, o Centro Psiquiátrico Pedro II do Rio de Janeiro. Com o trabalho de Nise, Carl Jung ficou surpreendido. Ambos trocavam cartas e expuseram a arte de seus pacientes.

Nise fundou ainda a Casa das Palmeiras, em 1956. O primeiro centro de reinserção de pacientes psiquiátricos na sociedade. Na metade da década de 30, Nise foi acusada de ser comunista, devido aos livros que possuía, e foi presa durante a Ditadura de Getúlio Vargas. Ficou em reclusão por cerca 15 meses, no presídio Frei Caneca, lugar onde conheceu o ilustre autor Graciliano Ramos, que escreve sobre esse encontro em seu livro “Memórias do Cárcere”.

“Todo mundo deve inventar alguma coisa, a criatividade reúne em si várias funções psicológicas importantes para a reestruturação da psique. O que cura, fundamentalmente, é o estímulo à criatividade.”

Nise da Silveira

Dica: Museu de Imagens do Inconsciente

Inaugurado em 20 de maio de 1952 no, até então, Centro Psiquiátrico Nacional, no bairro Engenho de Dentro no Rio de Janeiro, por iniciativa da psiquiatra Nise da Silveira. Acesse o museu pela internet, confira as artes expostas e saiba mais sobre o legado de Nise.

Filme: “Nise: o coração da loucura

Ao voltar a trabalhar em um hospital psiquiátrico, depois de sair da prisão, a doutora Nise da Silveira (Gloria Pires) sugere uma nova forma de tratamento para as pessoas com problemas mentais e, em especial, para pacientes que sofrem da esquizofrenia. Seus amigos de trabalho discordam do seu meio de tratamento e a isolam, restando a ela assumir o desabilitado Setor de Terapia Ocupacional, em que dá início a uma nova forma de lidar com os pacientes, através do amor e da arte.

Produção literária

Nise detém vários títulos e medalhas de mérito, teve abrangente reconhecimento de suas obras e contribuição para psiquiatria. Publicou artigos em jornais e revistas, todos em língua portuguesa. Destes, ressaltamos os que foram divulgados na Revista de Medicina, Cirurgia e Farmácia como os mais relevantes:

  • Estado mental dos afásicos. Set. 1944.
  • Considerações teóricas sobre ocupação terapêutica. Jun. 1952.
  • Contribuição aos estudos dos efeitos da leucotomia sobre a atividade criadora. Jan. 1955.

Assim como sua resenha sobre sua experiência com TO no Hospital Pedro II: 20 anos de Terapêutica Ocupacional em Engenho de Dentro (1946-1966). Revista Brasileira de Saúde Mental, v. 12 (número especial), 1966.

Nise publicou 10 livros, abaixo listados:

  • Ensaio sobre a criminalidade da mulher no Brasil. Tese de doutoramento, Faculdade de Medicina da Bahia, Imprensa Oficial do Estado, Salvador, 1926.
  • Jung: Vida e Obra. Este excelente livro introdutório ao pensamento Junguiano teve muitas edições, sucessivamente pela José Álvaro Ed. (Rio de Janeiro, 1968) e Paz e Terra (Rio de Janeiro, 1975, 1976, 1985, 1999), com várias tiragens em cada edição.
  • Terapêutica Ocupacional: Teoria e Prática. Casa das Palmeiras, Rio d Janeiro, 1979.
  • Imagens do Inconsciente. Alhambra, Rio de Janeiro, 1981.
  • Casa das Palmeiras. A emoção de lidar. Uma experiência em psiquiatria. Alhambra, Rio de Janeiro, 1986.
  • O Museu de Imagens do Inconsciente – História. In: Museu de Imagens do Inconsciente, MEC, Rio de Janeiro, pp. 13-29, 1980.
  • Artaud: a nostalgia do mais. Numen Ed., Rio de Janeiro, 1989, juntamente com outros autores: Rubens Corrêa, Marco Lucchesi e Milton Freire.
  • O mundo das imagens. Ed. Ática, São Paulo, 1992.
  • Cartas a Spinoza. Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1995.
  • Gatos, a emoção de lidar. Léo Christiano Editorial, Rio de Janeiro, 1998.

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