Em 1988, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) designaram o dia 1º de dezembro como o Dia Mundial da Luta contra a Aids. O objetivo era informar a população acerca da doença, bem como da importância de sua prevenção. No Brasil da época, houve uma união dos governos a nível federal, estadual, distrital e municipal, com organizações sociais, para promover maior conhecimento sobre a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids).

Assim, no dia de hoje, o Brasil, juntamente com outros países, comemora a data. E, neste ano, de 2020, temos um algo a mais para comemorar: pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apresentaram, em julho, dados que apontam a possível cura de um paciente brasileiro, de 34 anos, que, em 2012, fora diagnosticado com o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Conforme relatório, o paciente está sem carga viral há mais de dois anos. Ele foi tratado com um novo coquetel contra a doença. Não se sabe ainda se este fato poderá ser replicado. Mas, é uma notícia animadora.

Além disso, conforme site do governo federal, 93% das pessoas diagnosticadas com HIV positivo, no Brasil, já estão em tratamento adequado, o que torna a carga viral dessas pessoas indetectável. O que significa dizer que essas pessoas não transmitem o vírus HIV, nem mesmo por relação sexual.

Entretanto, há ainda uma subnotificação de casos em nosso país. Estima-se que cerca de 135 mil brasileiros estão infectados pelo HIV, sem ter ciência disso. Por isso, é primordial que pessoas com vida sexual ativa façam testagem regular para o HIV. Cuide-se!

Breve história da Aids

A identificação da Aids se deu, em 1981, marcando tragicamente a história da humanidade. Conforme Fundação FioCruz, em 1977 e 1978, apareceram os primeiros casos da infecção, nos Estados Unidos, no Haiti e na África Central. Em 1980, teve-se notícia do primeiro caso da doença no Brasil, em São Paulo. Em 1982, há a confirmação do primeiro caso de Aids no Brasil e da identificação da transmissão por transfusão sanguínea.  

Viveu-se uma verdadeira pandemia do HIV, em um delineamento complexo, com peculiaridades regionais, categorizando, assim, epidemias e subepidemias, conforme o desenho da localidade em questão. Nesse desenho, estavam embutidos questões sociais, econômicas, comportamentais, que trouxeram consequências sociais desastrosas e criminosas para a sociedade.

Por cerca de 1 ano, a AIDS ficou conhecida, no Brasil, como a doença dos 5 H, sendo aquela que afeta os grupos Homossexuais, Hemofílicos, Haitianos, Heroinômanos (usuários de heroína injetável) e Hookers (prostitutas, em inglês). Até em jornais, podia-se encontrar a manchete: “peste gay”; o que juntamente com a homofobia fortemente arraigada nessas terras, causou pânico. Levou o preconceito a nível científico, estigmatizando toda uma população de gays, lésbicas, bissexuais e travestis.

Nem mesmo, em 1983, quando houveram as primeiras notificações de infecção em criança e transmissão heterossexual do vírus, bem como de contaminação de profissionais de saúde, o preconceito cedeu. Nesse tempo de infecção por HIV, as condições de violência impostas às categorias de gays, lésbicas, bissexuais e travestis revelaram a precariedade de sua existência no modelo social. Durante todo esse tempo, a resposta contra a violência à população de gays, lésbicas e travestis era dada por meio do movimento de gays, lésbicas, bissexuais e travestis.

No ano de 1988, o Brasil já possuía 4.535 casos da doença. Em 1992, a AIDS passou a ser listada no código internacional de doenças (CID), o que possibilitou a inclusão do tratamento na tabela do SUS. Em 1993, a OMS registrou a ocorrência de 10 mil novos casos de Aids por dia no mundo. No mesmo ano, o total de casos no Brasil chegou a 16.670. Até o fim de 2019, havia, no Brasil, 38 milhões de pessoas vivendo com HIV, sendo que destas 25,4 milhões tinham acesso à terapia medicamentosa adequada. Além disso, o número de homossexuais, bissexuais, lésbicas e travestis tem, cada vez mais, sua relevância reduzida, conforme o número de casos por transmissão heterossexual, que cresce, proporcionalmente, entre a população mais jovem.

Aids ou HIV?

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, mais conhecida como Aids é causada pelo vírus da imunodeficiência humana. Um vírus que ataca os linfócitos T-CD4+, os quais são responsáveis por defender o organismo contra doenças. Assim, já percebe-se que HIV é uma coisa e Aids é outra.

Desse modo, não é toda a pessoa que contrai o HIV que desenvolverá a Aids. Após ter sido infectada pelo HIV, uma pessoa pode ficar assintomática. Quando este é o caso, dizemos que a pessoa vive com HIV. Entretanto, muitas pessoas, ao se infectarem com HIV, ficam doentes, estando mais sujeitas às infecções oportunistas. Doenças estas que se aproveitam do comprometimento do sistema imunológico do organismo infectado. A gripe, a tuberculose e a pneumonia são exemplos bem recorrentes dessas doenças oportunistas na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

Sinais e Sintomas

Em um estágio avançado da infecção pelo HIV, a pessoa pode apresentar diversos sinais e sintomas, como:

  • Tosse: seca;
  • Febre e calafrios;
  • Acordar com suores noturnos;
  • Feridas no corpo: erupções ou pústulas;
  • Dores locais e circunstanciais no corpo: dor de abdômen, de garganta, ao engolir, na região genital;
  • Sentir sono e dor o tempo todo;
  • Pescoço, axilas e virilha inchados;
  • Infecção por fungos;
  • Aftas, língua branca ou úlceras;
  • perda de massa muscular e fraqueza, perda de peso inesperada ou perda de peso não intencional severa;
  • Desconforto gastrointestinal: diarreia, diarreia aquosa, diarreia persistente, náusea ou vômito;
  • Também é comum: dor de cabeça, inchaço dos gânglios, infecção oportunista, ou sapinho.
  • Ainda não existe vacina e cura para a infecção causada pelo HIV, mas há tratamento.

Como o HIV é transmitido?

  • Relação sexual (heterossexual ou homossexual) – sexo vaginal, anal e oral sem camisinha;
  • Uso de seringa por mais de uma pessoa;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Transmissão vertical: passagem do vírus da mãe para o bebê durante a gestação, o trabalho de parto ou amamentação;
  • Instrumentos cortantes não esterilizados.

Não é transmitido por:

  • Sexo, com uso adequado de camisinha;
  • Masturbação a dois;
  • Beijo no rosto ou na boca;
  • Suor e lágrima;
  • Picada de inseto;
  • Aperto de mão ou abraço;
  • Sabonete/toalha/lençóis;
  • Talheres/copos;
  • Assento de ônibus;
  • Piscina;
  • Banheiro;
  • Doação de sangue;
  • Pelo ar.
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