Para Darwin, não é o mais forte que sobrevive, mas aquele que consegue se adaptar às mudanças. Para Steven Hawking à capacidade de se adaptar é a verdadeira e única definição de inteligência. Nos diversos contextos, a capacidade de adaptar-se aos novos cenários e às novas demandas do ambiente tornou-se uma das competências comportamentais centrais para responder aos cenários atuais. 

Para explicar este cenário, o espaço educacional e organizacional apropriou-se de um termo usado pelo exercito americano para descrever o cenário de mudanças, como mundo VUCA (volatility, uncertainty, complexityambiguity), onde o contexto de instabilidade tornou-se a realidade constante.  Para compreender melhor, o acrônimo VUCA, foi criado para definir cenários, no entanto, hoje é a descrição do que vivenciamos na era da tecnologia. 

Mudanças sempre aconteceram, no entanto, o que difere hoje é que estas mudanças acontecem em alta velocidade e, muitas vezes, disruptiva. Mudanças disruptivas são caracterizadas por quebra do processo de como algo é feito, tornando o processo ineficaz a partir daquela mudança. Este tipo de mudança altera também a forma como as pessoas se comportam e faz surgir necessidades que não havia como prever antes.

As mudanças tem sido tão intensas que estudos tem discutido sobre as profissões do futuro, quais deixarão de existir e quais surgirão. Alguns destes estudos prevêem que 65% das crianças, que estão na escola hoje, terão profissões no futuro que ainda não existe. Os estudiosos apontam que a tecnologia irá substituir profissões e postos de trabalho técnicos, por outro lado, serão cada vez mais valorizadas as competências comportamentais. 

As competências comportamentais, ou soft competencies,são consideradas invisíveis, que não se revelam na observação direta e sim, no comportamento contextualizado, distintamente das hard competencies, que podem ser mensuradas por objetivos e metas predefinidas e quantificáveis. 

Nesse contexto, a competência adaptativa emerge como um comportamento que será cada vez mais requerida frente às novas demandas da considerada quarta revolução industrial, a tecnológica. A competência adaptativa é a capacidade de desenvolver novos conhecimentos e habilidades a partir dos que já domina, obtendo resultados eficientes com alta performance em situações novas e desconhecidas.

A competência adaptativa, como um recurso pessoal, modifica o comportamento do indivíduo tornando-o mais flexível no alcance dos objetivos organizacionais, com aprendizado e estratégia de longo prazo. As características da competência adaptativa são criatividade, inovação, fluência, flexibilidade, adaptabilidade e melhor integração ao contexto social. A competência adaptativa responde ao cenário de hipercompetitividade e de aceleradas mudanças provocadas pelas tecnologias. Adaptar-se às mudanças do ambiente pode ser considerada uma demanda desafiadora que provoca um comportamento de enfrentamento aos cenários. 

Assim é que a competência adaptativa se apresenta como um conceito integrativo e completo do comportamento que responde ao almejado pelas organizações do novo milênio. A adaptabilidade absorve, adapta e ajusta o comportamento às demandas do trabalho; e a inovação passa necessariamente pela crença em si mesmo por meio da autoeficácia e pela criatividadeVale destacar que o conceito afasta a ideia de um comportamento estático e/ou de conformação. Ao contrário, competência adaptativa refere-se a um comportamento de autoevolução constante e de mudanças no comportamento e de percepção do cenário. Assim é que a competência adaptativa pode ser desenvolvida para responder ao cenário de mudanças, seja para sobreviver a vários contextos, seja considerando a adaptabilidade como a verdadeira inteligência, que temos que valorizar nos ambientes educacionais.

Referências

Bohle Carbonell, K., Stalmeijer, R. E., Könings, K. D., Segers, M., & van Merriënboer, J. J. (2014). How experts deal with novel situations: a review of adaptive expertise. Educational Research Review12, 14-29. doi:10.1016/j.edurev.2014.03.001

Hatano, G., & Inagaki, K. (1986). Two courses of expertise.

Noonan, M., Richter, G., Durham, L., & Pierce, E. (2017). Learning and the digital workplace: What? So what? Now what?. Strategic HR Review16(6), 267-273.

Categorias: Educação

Dra. Maria Tereza de Godoy

Doutora em Psicologia; Mestre em administração com ênfase em gestão estratégica das organizações; Especialista em gestão de Pessoas e gestão pública; Graduada em administração; Pesquisadora sobre comportamento humano nas organizações com ênfase em competências, liderança, motivação humana, autodeterminação, bem-estar no trabalho, qualidade de vida no trabalho e saúde do trabalhador. Atua em diagnóstico e análise organizacional; consultoria em gestão de pessoas e gestão estratégica; treinamento, desenvolvimento e capacitação profissional; como docente em cursos de graduação e pós-graduação nas disciplinas de gestão estratégica, gestão pública, gestão de pessoas, liderança e diagnóstico organizacional. Atuação profissional no setor público e privado.

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